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Consumo de Drogas, Rede e Apoio Social entre Pacientes Psiquiátricos Ambulatoriais

19/09/2020

A comorbidade de pelo menos um transtorno psiquiátrico e transtorno relacionado ao uso de substâncias em um mesmo indivíduo é significativo. Considerando isso, é importante notar que a co-ocorrência de transtornos parece ser um fator complicador para a compreensão diagnóstica e propostas de intervenção em saúde. Algumas das substâncias mais comuns são álcool, tabaco, maconha e cocaína. O prognóstico desses casos depende, dentre outros fatores, da presença de rede e apoio sociais. O objetivo do estudo foi identificar o uso problemático de drogas entre indivíduos em tratamento psiquiátrico em um serviço ambulatorial de saúde mental e verificar a associação entre tal consumo e medidas de percepção da rede e do apoio social.

 

Highlights

  • A amostra foi composta por 178 participantes, sendo 131 mulheres, todos usuários de um serviço ambulatorial de saúde mental no interior do estado de São Paulo.
  • Foram utilizados os seguintes instrumentos: formularário de informações sociodemográficas e clínicas; Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test (ASSIST); Medical Outcomes Study Questions – Social Support Survey (MOS-SSS); e Inventário sobre a Rede Social (Social Network Index).
  • As substâncias mais utilizadas foram: álcool, tabaco e maconha, sendo esta a droga ilícita mais utilizada. Os dados corroboram outros estudos internacionais. Ressalta-se que a prevalência de dependência encontrada no estudo é menor que em estudos internacionais, exceto para o uso de tabaco.
  • A percepção de apoio social foi elevada na amostra. Mas, é importante considerar que pode ser um viés amostral devido a todos serem usuários do serviço por um tempo maior, o que cria maior vínculo e percepção de apoio social.
  • A rede social percebida é caracterizada por poucas pessoas em vez de grupos de apoios. Isso pode ser um indicativo de sobrecarga objetiva e subjetiva por parte dos cuidados conforme mostrado em outros estudos nacionais.
  • Há associação entre ter sido discriminado e o uso problemático de pelo menos uma das drogas investigadas. Ainda, há também a associação entre ter sofrido alguma forma de discriminação e o diagnóstico de depressão entre usuários de serviços de saúde.
  • Um fator de risco para o uso problemático foi não residir com um parceiro fixo, sendo ou não casado. Bem como, a ausência de prática religiosa.
  • O estudo há limitações como a amostra ser de pessoas acompanhadas por mais tempo, os questionários serem aplicados em um primeiro contato, que pode gerar desconfiança e sub-relato.

 

Referência:

Braga, C. M. de S., & Corradi-Webster, C. M. (2020). Consumo de Drogas, Rede e Apoio Social entre Pacientes Psiquiátricos Ambulatoriais. Revista Avaliação Psicológica, 19(2), 132–141. https://doi.org/10.15689/ap.2020.1902.03

Acessar em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-04712020000200004

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