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Além do psicodiagnóstico: práticas inclusivas a partir da avaliação psicológica

23/04/2021

Organizações como a American Psychological Association (APA) e o Conselho Federal de Psicologia (CFP) já produziram algumas ações sobre avaliação psicológica e inclusão, incentivando publicações na temática e propondo diretrizes para o trabalho de psicólogos com pessoas com deficiência. Contudo, ainda há uma considerável defasagem de publicações sobre o tema; os testes psicológicos disponíveis para uso, em geral, não apresentam estudos de normatização com pessoas com deficiência; e é escasso o acesso dos estudantes, durante a graduação, a debates sobre avaliação psicológica e inclusão.

Assim, o presente trabalho constitui uma revisão integrativa de produções anteriores sobre avaliação psicológica e inclusão disponíveis em português. O estudo agrupou e sintetizou trabalhos prévios sobre o tema, evidenciando o que já foi produzido e as lacunas ainda presentes na literatura da área. A pergunta “O que se tem construído a partir da técnica de avaliação psicológica para fomentar a inclusão das pessoas com deficiência?” foi usada como norteador do estudo.

 

Highlights

  • A busca por produções foi realizada nas bases de periódicos da CAPES e na BVS-Psi, em português, a partir de um recorte de 19 anos (de 2000 ao primeiro semestre de 2019) utilizando-se os descritores “Avaliação Psicológica and Inclusão” e “Avaliação Psicológica and Pessoas com deficiência”.
  • A presença dos termos dos descritores no título, palavra-chave ou no resumo foi considerada para a filtragem dos artigos, assim como a língua (português) da produção. O tipo de deficiência não foi usado como critério de exclusão.
  • Após várias etapas de pesquisa, 6 artigos que se encaixavam nos critérios acima mencionados foram selecionadas para análise.
  • Houve recorrência dos autores Cassandra Melo Oliveira, Carlos Henrique Sancineto da Silva, Carolina Campos Rosa e Tatiana de Cássia Nakano em 60% (n=4) dos estudos analisados.
  • Em relação ao tipo de deficiência, a maior parte dos trabalhos referia-se a deficiências visuais e auditivas.
  • Dos 6 artigos selecionados, 4 configuraram estudos empíricos e 2 baseiam-se em revisões da literatura.
  • O presente trabalho identificou 3 categorias de discussão nos estudos analisados: O psicólogo com deficiência: formação e prática (1 artigo); desenho universal (2 artigos) e adaptação e validação de instrumentos (3 artigos).
  • Sobre a temática “O psicólogo com deficiência: formação e prática”, o artigo analisado destaca uma formação insuficiente sobre avaliação psicologia e inclusão, assim como a necessidade de, ao longo da formação e da atuação do psicólogo, levar-se em consideração adaptações necessárias para alunos e profissionais com deficiência como aplicadores de testes e avaliadores.
  • Em relação ao “desenho universal”, os artigos destacam como o conceito de desenho universal é bem-vindo na avaliação psicológica não só no sentido de construir, adaptar e avaliar instrumentos que acolhem populações com deficiência, mas também beneficiam os profissionais que também possuem alguma limitação.
  • Metade dos artigos analisados se encaixam na categoria “adaptação e validação de instrumentos” e, como os demais, estes também evidenciam a lacuna em instrumentos de avaliação psicológica que atendam pessoas com deficiência, assim como o atraso na modernização e informatização dos testes já existentes. Dois dos artigos desta categoria focaram-se em testes específicos de inteligência e sua aplicabilidade para crianças com deficiências visuais, enquanto o terceiro analisou um inventário infantil para habilidades sociais em uma população de crianças com deficiências sensórias e intelectuais.
  • Em resumo, este trabalho evidencia a necessidade de mais debates e estudos, assim como formação específica para a temática de avaliação psicológica e inclusão. Barreto e Bôas (2021) concluem com uma sugestão de que estudos semelhantes, no futuro, levem em conta produções de outros idiomas também.

 

 

Referência:

Barreto, C., & Bôas, L. V. (2021). Além do psicodiagnóstico: práticas inclusivas a partir da avaliação psicológica. Brazilian Journal of Development, 7(2), 15372-15389.

Artigo completo: https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/24633/19684

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